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Por que os adolescentes se automutilam?

Por que os adolescentes se automutilam? Essa parece ser uma das perguntas mais frequentes da atualidade, especialmente nos contextos familiar e escolar. Pais de adolescentes tem manifestado muita preocupação com o fato de estar aumentando consideravelmente a frequência de autolesões em jovens. Essa temática também é uma constante no contexto escolar, emergindo como uma das maiores preocupações dos educadores. Frequentemente os temas da automutilação, das tentativas de suicídio e do suicídio são tratados e discutidos por profissionais da saúde mental, mas esses fenômenos não devem ser exclusivamente pensados nesse contexto. Isso porque são fenômenos que ocorrem e são motivados por múltiplas causas, humanas, existenciais e pela interação de fatores individuais e sociais. Na medida em que o individual é coletivo, já que construímos nossas identidades e nos integramos psiquicamente enquanto sujeitos, na relação com o outro, com o coletivo é preciso situar a ocorrência de atos...

A morte enquanto tabu

É bastante corriqueiro nos nossos dias ouvir que a morte é um tabu, aquilo sobre o que não se quer falar, ou antes, aquilo sobre o que não se quer pensar. Vemos o quanto a morte está nesse lugar de tabu, do interdito, por exemplo, quando notamos ser corriqueiro que se escondam as mortes das crianças, quando se evita a presença destas em hospitais, UTI’s e funerais. Como se a criança não pudesse, psiquicamente, elaborar o fato, inevitável, de sermos todos, (inclusive elas), mortais. O historiador francês Philippe Ariès, conhecido por seus estudos históricos sobre as representações sociais da morte, nos revira um pouco de nosso modo naturalizado de entender a morte. Em um de seus estudos, ele remonta as representações sociais da morte antes do século XVIII, fazendo ver que, na sociedade ocidental, a morte nem sempre foi tratada como tema censurado. Ariès assinala que antes do século XVIII a morte já havia sido uma “morte domada”, ou seja, um fenômeno parte do cotidiano. N...

Como ajudar um enlutado por suicídio? - por Flávia Andrade

Como ajudar um enlutado por suicídio? O luto é considerado uma reação humana a perda de algo existencialmente significativo, seja um ente querido ou o rompimento de algum laço afetivo, por exemplo. Donald Woods Winnicott, psicanalista inglês, considerava o luto como um processo de transformação, uma espécie de transição de uma dor psíquica muito profunda, até uma forma de nostalgia. Em outras palavras, a dor intensa da perda, vai, com o tempo de cada um, de cada sujeito, sendo substituída por saudade, por lembrança. Para Winnicott é necessário e absolutamente saudável, do ponto de vista psíquico, vivenciar o luto, chorar a dor da maneira com que cada um, singularmente, a sinta. Os limites emocionais são absolutamente individuais e, em decorrência, a dor do luto e a maneira de expressar essa dor, também é absolutamente individual. Não cabe portanto, comparar dores ou minimizar a dor do outro, menos ainda julgar essa dor. No caso de luto por suicídio, justamente pelo que o ...

Setembro amarelo - A prevenção do suicídio e o contexto oncológico

Setembro amarelo - A prevenção do Suicídio e o contexto oncológico O  suicídio é considerado uma questão de saúde pública e isto, por si, justifica que este tema venha sendo cada vez mais chamado ao debate, no âmbito social e no âmbito da saúde. O mês de setembro é representativo nesse sentido, já que desde 2015 tem sido o mês que representa oficialmente o alerta amarelo, o alerta da prevenção ao suicídio. Atualmente o dia 10 de setembro é o dia internacional de prevenção ao suicídio. Pensar o tema do suicídio não é tarefa das mais simples. É um tema permeado por estigmas originados de questões morais e religiosas, contudo, não debater este tema de forma direta e objetiva, impossibilitaria a prevenção e as ações de cuidado, totalmente necessárias e cada vez mais urgentes. É preciso, portanto, refletir sobre o suicídio de modo direto e com o envolvimento de profissionais de diversas áreas, considerando o caráter multifatorial deste fenômeno tão complexo. No contexto oncológ...

Setembro amarelo - Refletir sobre o suicídio é refletir sobre a vida

Setembro amarelo - Refletir sobre o suicídio é refletir sobre a vida O mês de setembro é, desde 2015, o mês que simboliza a prevenção ao suicídio. A campanha "Setembro Amarelo" faz parte de uma série de ações informativas e de prevenção extremamente pertinentes e fundamentais, já que suicídio é atualmente considerado uma questão de saúde pública e enquanto tal, precisa ser foco de intervenção de políticas públicas de prevenção, o que envolve profissionais de variadas áreas. No entanto, o objetivo deste texto não é apenas discorrer sobre a campanha Setembro Amarelo. É, sobretudo, ressaltar a importância da prevenção do suicídio em todos os  meses do ano. Para isto aproveitamos que a atenção de todos está voltada para o tema e para o dia 10 de setembro (Dia mundial de prevenção ao suicídio). Desde Durkheim (sociólogo francês, autor do clássico O suicídio) até hoje, geralmente os sociólogos pensam o tema do suicídio em sua articulação a questões sociais, a movi...

O luto por suicídio e suas especificidades

O luto por suicídio e suas especificidades O luto é considerado um processo normal do ponto de vista humano-existencial; um fenômeno reativo à perda de um ente querido. Esse entendimento atual é bem próximo ao de Freud que descrevia o luto como uma reação (normal) à perda de um ente querido, ou à perda de algo existencialmente importante (como num término de relacionamento amoroso) etc. Freud assinalou que embora o luto possa envolver importantes (e passageiros) afastamentos daquilo que se constitui como atitude normal em relação à vida, não se trata necessariamente de uma condição patológica passível de tratamento médico.  Já para Winnicott (psicanalista inglês), a perda do ente querido desperta sentimentos ambivalentes (amor e raiva) que são sentimentos que ficam introjetados no enlutado. Ao longo do processo de elaboração do luto (num período que pode variar de pessoa para pessoa) a ambivalência tende a se dissolver, a raiva se dissipar e a angústia pela perda s...

Precisamos falar sobre Suicídio (suas estatísticas) e sobre adolescência

Precisamos falar sobre Suicídio (suas estatísticas) e sobre adolescência As recentes notícias do Suicídio de adolescentes em colégios tradicionais de São Paulo deixaram a todos absolutamente perplexos. É estarrecedor e muitas vezes dolorido falar sobre esse assunto e mais ainda quando de tratam de jovens. Cabem antes então, algumas contextualizações. O  tema do Suicídio vem sendo debatido com maior destaque nos últimos anos, especialmente após o início da campanha "Setembro Amarelo", a qual é parte de um amplo e necessário esforço no sentido de prevenção. Suicídio é hoje uma questão de saúde pública; discutido na comunidade médica, científica e no âmbito da Saúde em geral. A OMS divulga há anos um vasto material sobre o tema, com informações sobre conceitos e formas de lidar com a questão, em si, tão complexa. Suicídio é considerado por muitos um assunto tabu. É tema de reflexão e debate de sociólogos, médicos, psicólogos e outros profissionais que se debruçam sob...